Verde. Quando Condoleezza Rice balbuciou algumas palavras de protesto anunciou-se que os planos haviam sido suspensos. De fato, continuam a pleno vapor.

Como Olmert e seus colegas conseguem enganar o mundo inteiro? Benjamin Disraeli disse uma vez, sobre um político britânico: "O honorável e respeitabilíssimo gentleman surpreendeu seus adversários quando tomavam banho de mar e levou suas roupas." Nós, os pioneiros da solução de Dois Estados, podemos dizer algo semelhante sobre nosso governo. Ele roubou nossa bandeira e enrolou-se nela para esconder suas intenções.

No longo prazo, existe hoje um consenso mundial de que a paz em nossa região tem de basear-se na coexistência do Estado de Israel e do Estado da Palestina. Nosso governo escorregou para dentro desse consenso e o explora para alcançar um objetivo completamente diferente: o domínio de Israel no país inteiro e a transformação dos centros populacionais palestinos em uma série de Bantustões. Essa é, de fato, uma solução de Um Estado (o Grande Israel), disfarçada na solução de Dois Estados.

Esse plano pode ter sucesso?

A batalha de Gaza está em pleno curso. Apesar da enorme superioridade militar do Exército israelense a batalha não é unilateral. Até os comandantes israelenses notam que as forças do Hamas estão se tornando mais resistentes. Fazem treinamento intensivo, têm armas cada vez mais eficazes e demonstram muita coragem e determinação. Aparentemente a queda de seus comandantes e combatentes, em um derramamento de sangue contínuo, não está afetando seu moral. Essa é uma das razões pelas quais o Exército de Israel está resistindo à tendência de reconquistar a Faixa de Gaza.

Na Faixa as duas principais organizações contam com um amplo apoio da opinião pública - tanto a manifestação em homenagem a Yasser Arafat organizada pelo Fatah como a contramanifestação organizada pelo Hamas envolveram centenas de milhares de participantes. Mas, aparentemente, a grande maioria dos palestinos

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